quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Lapa careta (o Estado tenta)

“Oh Arcos brancos de uma lapa colorida”
Felizpe Frutose 



O Estado tenta
Cobre a cal
Passa tinta 

O Estado do tenta
Manda o choque
Ordena e pinta 

Mas a mancha insiste
Matizes que a rua tinge 

O tempo picha
Arte cinza
No arco limpo
- Que dizem suja 

Lapa Careta
Branco no preto
O Estado tenta 

O Estado tenta
Mas esta sujeira me representa

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Páscoa de Orquestra




Domingo de Páscoa. O que é isso para quem não tem religiao? Deixei de lado coelho capitalista (que nem bota ovo, mas é de chocolate) e fui pra rua curtir um som. Uma ressurreição. Na praça da igreja, nada de missa. Comunhão de outro tipo.   Tambores, trombones e trompetes em  curiosa procissão. Desde o teatro Cacilda Becker marchou a trupe, interagindo com o público e fazendo a alegria de quem acolhe o inusitado. Palhaços alados tal qual anjos em orquestra voaram pelo Largo do Machado.  Extra extra: palhaço de trombone invade farmácia! Que cena sublime a dança do funcionário.   
Neste domingo, a banda que levanta multidões nos carnavais tocou como se fosse a primeira vez. E foi a primeira vez quem não é da área. Tomou o Largo, invadiu a praia. A Orquestra Voadora não precisa ser previamente apresentada. Tem presença de praça! Anos de experiência que pintam em cada gesto como se fosse novidade. Daí todo mundo agacha: no centro da roda dança uma senhora idosa. Depois chega uma criança. E todo mundo levanta e brinca brindando a vida na cidade que é nossa. Vibra o ato. Vira passeata. Pelo direito de ser índio e encher a cidade de aldeia. Ocupar de alegria viva. Não é esse lance da Páscoa, (para além de chocolate)? Resistir ao ser devastado e ainda fazer festa. Manifesto sem maestro. Glorioso domingo de Orquestra.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Brincos




Brilharam pela noite
Rodopiaram em pleno par
Mas foram esquecidos
Na espiral da rotina

Poderia ter sido
Boa desculpa, motivo
Mero desperdício

Os cúmplices do encontro
Perderam o ritmo
Pendurados
Por tempo indeterminado

Na gaveta
Aguardaram com ânsia
Pela próxima vez
Que não viria

[Quem ousa querer
Arrisca perder]

Até que um dia
O que fora relíquia
Virou evidência
A ser descartada
Como lágrimas
Ou como brincos jogados no lixo
Junto com qualquer expectativa


domingo, 25 de novembro de 2012

Workshop para aprender a dizer "não"


(Com Romã Neptune)

- Todos digam "não"!
- Viu como dizer “não” pode ser difícil?
- O que é melhor, dizer que você foi pintar a unha do cachorro da sua avó ou não responder nada?
- Educação também é dizer “não”.
- Você nem sabia que ia dormir com o cara, mas já falou o que ia fazer amanhã, porque você diz o que vai fazer amanhã pra qualquer pessoa, quando ainda é ontem, antes dela se tornar o cara. Mas você dormiu com ele, é hoje e ele pergunta daquele show. Mas pra você ontem já passou. E agora, como dizer que não rola? Você se enrola...
- Ou chega uma menina que você fica há um tempo, mas que resolveu te enxergar só agora e coloca para fora todas as sentimentalidades que um dia você quis ouvir, mas no momento você tá indo encontrar com outra, que a essa altura já é a atual, na porta do banheiro... Num bate um desespero?
(Bater tambores)
- “O silêncio gera expectativa”
- E a expectativa estraga a festa.
- Dizer "não" é dar opção do outro cair fora.
- Um "não" é melhor que nada.
- Ninguém deve satisfação! 
- Mas o teu silêncio alimenta a nóia das mina.
- Fica o “dito pelo não dito”.
- Às vezes você fala pouco e diz tudo, às vezes você não diz nada e deixa que os outros falem por você.
- O silêncio é uma folha em branco.
- Deixa qualquer um quicando.
- É um discurso sem palavras.
- E para bom entendedor qualquer pingo é letra.
- Mas quando o cara diz “não” de repente a mina fica puta e é chato. 
- Qual é problema da mina ficar puta? Aí é com ela. Pelo menos você foi sincero. Ou será que era só mais um contato para botar na gaveta?
- Não abre mão de ter o outro a mão.
- Nos dois casos as mina pira.
- “ Vai, meu coração, ouve a razão, usa só sinceridade!” Telefone só se for ligar. Quem quer dá um jeito quem não quer dá desculpa. Antes cair das nuvens que de um terceiro andar.
- Alô, malandragem, um dado de realidade:
A gente se vê uma ova!,  carioca da gema.
O Rio de Janeiro é um ovo.
Claro que a gente se vê: com outro.
- A Mem de Sá é uma província.
Todo mundo se conhece na Casa da Cachaça
A mina que pira podia ser sua amiga
Dependendo do que você diga
- Seja generoso:
Diga "não"!
- O "não" liberta
Diga "não"!

sábado, 10 de novembro de 2012

Ensaio de guerra


"Artista é o caralho" gritou ao poeta o operário.
"Vai arrumar emprego de verdade.
Para trabalhar você não tem coragem"

Eu sou uma fábrica
Se me faltam chaminés, sobra vontade
Claro que o comércio é coisa respeitável
Mas o ofício do poeta é muito mais difícil
Varejamos gente viva
Polimos as almas com a lixa do verso
Não me apresso
Em receber um preço mais alto ou baixo
Eu não me encaixo
O carro do ano ficou velho
Mais valem novos erros
Os corações são motores
Que fazem a roda da fortuna girar
Girar
Girar
A roda só gira para quem tem a mão no girar
Girar
Girar
O destino começa onde pode mudar

Espera não! Desespera!
Só confio em gente que berra
Ja é ou já era?
Ensaio de Guerra!


obs:
Releitura do poema
O Poeta-Operáriode Vladimir Maiakovski e inspirado na música Roda da Fortuna da banda Ensaio de Guerra. Esse poema foi criado especialmente para a ocasião do lançamento do CD da banda. 

 


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Vantagem da monogamia



Sair sozinho afim
Não pegar ninguém
E ainda mandar bem!





Sinto





Antes que tudo se perca no mar da coisa não dita
A poesia dita
A poesia grita
A poesia grita!


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Quem não quer sentir sofre sem saber porque se sofre sabendo sabe sentir só é feliz quem sabe porque.



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Não lamente.
Eu sinto muito!
Enquanto você não sente.


ps: imagem emprestada de http://www.momentometamorfose.com.br/semcategoria/grito/

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