domingo, 12 de junho de 2011

Amor Ator (homenagem ao dia dos namorados)

Tem algum ator desempregado em cena? Pode ser amador...
É que eu estou procurando um amor...
Quer dizer, um ator, pra fazer papel de meu amor na minha peça de teatro.

Porque mulher solteira no Rio de Janeiro não tem que correr atrás
É só se estender na areia praia que tá cheio de tatuí de tanto faz
Homem é que nem biscoito Globo, vai um vem dois por um real atrás do outro...
Não precisa se matar de amor. Olha o Mate, tá na mão!
Beba light ou com limão. O que não falta na cidade querida, é opção!
Tá servida?

Não. Eu não sirvo pra esse papel...
Meu berço não beira mar
Nenhum verso me sai fácil
E o que faço condição
"Amor só com fusão..."
Mas eu amo esse trabalho dou trabalho até na diversão!

Se não tem cenário ensaia debaixo da minha saia
E te aviso: vai ser exaustivo. No improviso, sou exigente!
Só pra chegar na hora h e fazer tudo diferente!
De repente, querido, você é o escolhido...

Que comecem os testes então!

Terça-feira tem Corujão
Não? Não tem problema
A gente pega um cinema
Ou um teatro
Ah... Acha tudo isso saco?
E no bate papo diz que detesta Zé Celso Martinês!
E nem por um decreto chama o velho artista.
Tá certo... Eu desisto. Próximo da lista.

Pois já é quarta
Dia de pelada
Não garoto,
Não, não é no seu quarto
Isso a gente faz depois
É Pelada Poética no Leme!
Não gosta de poesia?
Era isso que eu temia...

E na quinta-sim,
Ratos Di Versos,
Dia de Saraval
Deu preguiça?
Então tchau.


Ih olha lá! É aquele baixinho no fundo do palco. Tocando um instrumento engraçado. O nome eu não sei, não é conhecido, ninguém repara! Tímido, ao microfone quase não fala. Só diz poesia ao pé do ouvido. Atrevido... Tem um pouco mais de trinta e vergonha da careca... (prá tapar usa um chapéu e chamam ele de poeta).

Meu amor ator é torto. Atormentado, atordoado. E eu vou querer saber cada ato de sua história. É um surto que você esconde em segredo? Na infância era de palhaço tinha medo.  Qual é o seu vício? Tem fobia de barata? E se fosse um bicho, será que seria uma vaca?

Ah... Assim eu vou te amar de graça. Por essa loucura não confessa. Só por que fui eu quem descobri um defeito perfeito que eu acho que sou a única mulher do mundo que poderia amar.

Pois ao invés de tanto faz eu faço tanto tanto tanto que um dia eu encontro.
Meu amor ator!

Mas nesse dia santo... ele pegou no sono.
E caiu nos braços de Morfeu... ao invés de cair no meu!

Então eu fui buscar meu amor em sonho
Foi quando corri para ele, risonha...

Mas se o texto não esquecer
E não deixar o improviso acontecer
Se a máscara do teatro vier sem você...

Serve outro!

É isso o que há de mais essencial na busca pelo outro,
É que se não tiver você querido, serve outro!

E se o sonho virar pesadelo
Meu amor de aliança no dedo
Com namorada do lado
Me chamando não de amada mas de outra...

Serve outro!

Outro conto em outro canto
Outro tanto quanto o outro

Serve outro que eu vou amar do mesmo jeito
porque vou descobrir um outro defeito perfeito

E só serve outro porque também eu posso ser outra.
Intérprete
Igual a mim há mil que podem dizer este texto.

É que eu estou procurando um amor
Quer dizer um ator, para fazer papel de meu amor nessa peça
Eu peço. Alguém a quem se possa, de fato, em ato, com tato, amar
É que eu sou uma atriz amadora livre solteira e desempregada
Qual o meu papel na sua história?'
Acho que me cai bem o de namorada!
Esse é meu texto
Essa a peça é o que me resta
Eu aceito o teste!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Vermelha

Fetiche de cor, amor
Nessa cama, não tem nexo
Minha rima teu reflexo
Frente a face interessa?
Branca, preta, amarela...
Faço verso que espelha
E em silêncio te revelo
Que por dentro, sou vermelha

quinta-feira, 19 de maio de 2011

ME CHAMA

[E ainda tem gente que tem medo do fogo
Eu só temo quando não me chama!]




Pega fogo, lambe tudo
Arde e toca feito flauta
Sopra quente e me acende
Inspira versos, ardentes

Eu me entrego como escrava
Não há medo no que escrevo
Mas o fogo, em segredo
Me revela: ainda é cedo!

Eu só morro quando a musica acabar
Pego fogo
Em amor a confusão
Explodo em palavras secretas
Acende a alma do poeta

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Do fogo

Por que lutar se ele não prende?
Amor é como a gente se rende

Eu me rendo
Entrego o EGO à arte
E ao fim do amar-te, a morte
Do EU – tudo que queria se perdeu

Perdi
Vi ruir
Cri ser eterno...
E agora o que resta? Adeus?

Oh sim há deus, na festa!

O banquete de sempre chama
Aceito, acendo, inflamo
Enquanto nego ao outro
Que contenta com o pouco

Que posso fazer eu
Se meu deus tem ciúmes
quando me verto sem faísca?
Não hei de correr o risco,
de ver morrer sem fricção
minha fogueira, criação.

SOUTO

E ele disse "sou muito SOLTO".
 - Não tem problema, eu também SOUTO!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Intercâmbio Catumbi

Navegande da Ilha
Cruzeiro 485
A travessa maravilha.

Viajo e vejo
Por isso escrevo
Pessoas e calçadas
Cantos sujos
Garotos ruivos
Moleques pretos
Oficinas, bichos e meninas
Quase putas ou moças com calor
De submissão , nem sinal
Orgulho de quem tem o samba no quintal.

Pode até rir
Mas meu intercâmbio cultural
Passa pelo Catumbi.

Por que sonhar só com o Leblon?
Le bom de mais para ser verdade

Vai querer meu sonho são?

Sono lento, engarrafado.
Cerveja, boteco
Cortiço, sobrado
É querer demais querer tão pouco?
Que nada. Sonho bom é sonho louco!

Intercâmbio Caracol

Foi mal
Não fiz intercâmbio cultural
Então por favor me diz
que é o tal do… Baudelaure
Quem é Baudelaure?
Quem é?

Nunca vi entardecer na França
Não toquei piano em criança
Mas tomo muito sol.

Você conhece o Caracol?

Avenida Brasil
Passarela em espiral
É fila atrás de fila na van pra Copacabana
Senta no banquinho e corta caminho pela maré
No Intercambio - Caracol 
Não se fala em Baudelaure

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