sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Poesia Papo Reto

Do rolo à ação
Enrolação ou em relação?
Sem discussão
Se envolve e desenvolve
Ou desenrola e vai embora.

Borboletas azuis




I. Do diamante

Porque era belo
Esperou que derretesse
Para que pudesse
Bebê-lo

II. Das Borboletas

Por sorte
Borboletas de blues
o distrairam de tal sina
carregando-o para cima
de suas asas azuis

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Dando pala na Lapa

Ao aniversário de CEP 20.000

Sexta-feira salto alto
Meia calça no asfalto
Passo a passo sigo o alvo
No compasso que me traço

Pressa tanta faz a prece
Toda ânsia que merece
Sai da frente no sentido
Toda gente converge comigo

O Catete atravesso
É a Glória mas não é a Lapa
Onde começa a Lapa?

É quando bate-papo?
Bate perna no boteco
De olho numa ponta
Alguém arrisca um teco

Acho que ando dando
Pala na Lapa
Acho que ando dando pa lá
Dando pala na Lapa
Dando pa lá.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Orfeu é meu



Orfeu é meu
Ao som de jazz se fode mais

Espera que se atira da janela
Ao berros de gaitas que miam na Lapa
Nada flauta
Tudo se completa nela
E não há droga que imite o grito dessa hora
Nem lisérgico que se compare à vertigem do que vejo

Vejo
Que você não suporta o paraíso
Anda atrás do seu contato noutra boca
Tanta vontade pouca, fraco!
Queria ver gritar da minha janela
Eu te desafio: fica, grita, erra!
Só confio em gente que berra

Vai de subversão convencional
Reclamando que a fila do inferno anda devagar
Pois trago notícias de lá:
Eles também tem céu
Igual ao da boca
Mas os ingressos estão esgotados
Ainda aceitam sangue
Mas tem que ser de si
E essa nota você não toca
Faltou cuidado com a gaita e com tudo que importa

Agora,
Os deuses da festa festejam as feridas
Agulhas agudas tecem o fim
O solo do sim no fundo de mim
Ao som de jazz me leva aos céus
Enquanto você sobe o morro em busca de Deus

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Amor dicção

Amor é uma droga... ainda bem que tem uma boca na esquina!
Mas amor polícia pacifica. Passa e fica. Só não levem da minha boca o meu amor bandido.
(Caró Lago e eu)

sexta-feira, 17 de junho de 2011

V. Mimosa


(Ilustração de Thiago José)

Eu como capim, sim
Pode botar
Vinte de mim pra cada touro
To nem aí!

Encurralada
Eu não reclamo
Que sujo o rabo
Na tua lama

Me sento
Sem pressa
Questionamento
Não me interessa
Filosofia?
É só história pra boi dormir
Tô nem aí!

Pode me comer, seu touro
E me arrancar o couro
Que depois de mim, como capim
Virá outra
Vaca louca

Me babo toda
Engulo e cuspo
Sem asco ou ânsia
Pela resposta

E ainda me diz sagrada?
Pois te revelo nas retinas
O segredo é que rumino
E mais nada.

domingo, 12 de junho de 2011

Amor Ator (homenagem ao dia dos namorados)

Tem algum ator desempregado em cena? Pode ser amador...
É que eu estou procurando um amor...
Quer dizer, um ator, pra fazer papel de meu amor na minha peça de teatro.

Porque mulher solteira no Rio de Janeiro não tem que correr atrás
É só se estender na areia praia que tá cheio de tatuí de tanto faz
Homem é que nem biscoito Globo, vai um vem dois por um real atrás do outro...
Não precisa se matar de amor. Olha o Mate, tá na mão!
Beba light ou com limão. O que não falta na cidade querida, é opção!
Tá servida?

Não. Eu não sirvo pra esse papel...
Meu berço não beira mar
Nenhum verso me sai fácil
E o que faço condição
"Amor só com fusão..."
Mas eu amo esse trabalho dou trabalho até na diversão!

Se não tem cenário ensaia debaixo da minha saia
E te aviso: vai ser exaustivo. No improviso, sou exigente!
Só pra chegar na hora h e fazer tudo diferente!
De repente, querido, você é o escolhido...

Que comecem os testes então!

Terça-feira tem Corujão
Não? Não tem problema
A gente pega um cinema
Ou um teatro
Ah... Acha tudo isso saco?
E no bate papo diz que detesta Zé Celso Martinês!
E nem por um decreto chama o velho artista.
Tá certo... Eu desisto. Próximo da lista.

Pois já é quarta
Dia de pelada
Não garoto,
Não, não é no seu quarto
Isso a gente faz depois
É Pelada Poética no Leme!
Não gosta de poesia?
Era isso que eu temia...

E na quinta-sim,
Ratos Di Versos,
Dia de Saraval
Deu preguiça?
Então tchau.


Ih olha lá! É aquele baixinho no fundo do palco. Tocando um instrumento engraçado. O nome eu não sei, não é conhecido, ninguém repara! Tímido, ao microfone quase não fala. Só diz poesia ao pé do ouvido. Atrevido... Tem um pouco mais de trinta e vergonha da careca... (prá tapar usa um chapéu e chamam ele de poeta).

Meu amor ator é torto. Atormentado, atordoado. E eu vou querer saber cada ato de sua história. É um surto que você esconde em segredo? Na infância era de palhaço tinha medo.  Qual é o seu vício? Tem fobia de barata? E se fosse um bicho, será que seria uma vaca?

Ah... Assim eu vou te amar de graça. Por essa loucura não confessa. Só por que fui eu quem descobri um defeito perfeito que eu acho que sou a única mulher do mundo que poderia amar.

Pois ao invés de tanto faz eu faço tanto tanto tanto que um dia eu encontro.
Meu amor ator!

Mas nesse dia santo... ele pegou no sono.
E caiu nos braços de Morfeu... ao invés de cair no meu!

Então eu fui buscar meu amor em sonho
Foi quando corri para ele, risonha...

Mas se o texto não esquecer
E não deixar o improviso acontecer
Se a máscara do teatro vier sem você...

Serve outro!

É isso o que há de mais essencial na busca pelo outro,
É que se não tiver você querido, serve outro!

E se o sonho virar pesadelo
Meu amor de aliança no dedo
Com namorada do lado
Me chamando não de amada mas de outra...

Serve outro!

Outro conto em outro canto
Outro tanto quanto o outro

Serve outro que eu vou amar do mesmo jeito
porque vou descobrir um outro defeito perfeito

E só serve outro porque também eu posso ser outra.
Intérprete
Igual a mim há mil que podem dizer este texto.

É que eu estou procurando um amor
Quer dizer um ator, para fazer papel de meu amor nessa peça
Eu peço. Alguém a quem se possa, de fato, em ato, com tato, amar
É que eu sou uma atriz amadora livre solteira e desempregada
Qual o meu papel na sua história?'
Acho que me cai bem o de namorada!
Esse é meu texto
Essa a peça é o que me resta
Eu aceito o teste!

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