segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Intelectual




-->
--> --> Vocabulário de palavras cruzadas - nível avançado
uso termos rebuscados
os que criticam não alcançam
me cansam 

Sou lido por um grupo restrito: amigos
Quando me refiro ao termo “amigos”, 
quero dizer pessoas de mesmo nível

Se gostou do meu escrito e 
não é do mesmo nível quer transar comigo

Me mastubo com uma frequência normal
Mas prefiro fazê-lo com a caneta, pois é mais limpo

Sou prolixo e tenho uma idéia fixa
Eu
Eu
Eu

Discuto pentelho e vírgula

Acho simplório ser direto
Sou muito séria
Não sei se poemas devia ser ditos em platéia
Frequentemente me refiro a cidades europeias
Me recuso a memorizar meus textos
Poderia soar como esforço para ser compreendido
Poderia parecer que eu quero que as pessoas gostem de mim
Escolhi cuidadosamente essa roupa sem cor para que não haja dúvidas que eu não me importo com a minha aparência.
Nem sequer uso salto alto. Que fique claro.
Eu jamais rebolaria até o chão.

sábado, 18 de agosto de 2012

Miragem (Espejismo)




“Deus criou o homem a sua imagem e semelhança” (Gn. 1,27)

Deus criou o homem
E o homem criou Deus
Sua imagem, seu EU
E o semelhante perdeu

Antes do nome, no início, era o paraíso
O semelhante era preciso
Pelos olhos do outro se revelava o homem
Ou então ele se abaixava pra procurar seu reflexo na água
Outro e água eram um,
Tudo era comum

Mas veio o homem branco
E trouxe o encanto da imagem
Por isso estamos até hoje
Trocando água por refrigerante
Aceitamos o nome que nos foi dado
Negro, índio, favelado
Trocamos nossa terra
Por reflexo que cega

Isso porque inventaram um espelho que só reflete o que você que ver
A propaganda está voltada para a classe C
Mas quem compra é o outro, quem manda!
Bobo é só o índio que trocou ouro por bugiganga...

Sabe uma coisa que tem espelho?
Carro. Carro tem espelho.
Roupa, que a gente usa pra olhar no espelho

Espelho, espelho meu
Cada um tem o seu
E quando o espelho é você?
Que só reflete o que o outro quer ver
É aplauso, tapinha nas costas e um abraço
Dizer o que o outro quer ouvir é muito fácil
Difícil é botar a mão na massa
E transformar a realidade – que começa em casa
Depois na esquina e na praça

A vaidade é inimiga da verdade
Amigo que é amigo dá o papo, com tato
E se for preciso, camarada
Dou até a cara a tapa!

A imagem é confortável
Mas o espelho é frágil
Quebra fácil, vira caco
A força se encontra no fato
A imagem é o SPA do eu
A imagem é o espelho do eu
Parece até que sou completo
Me vejo no espelho e me sinto concreto
Mas é mero reflexo

Por isso eu proponho
Que se quebrem os espelhos
O que ficar inteiro é você

Imagem não é nada. É miragem!
Plante-se na prática
E beba água
Oásis da verdade

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Tempo sem matemática

(Ilustração por Thiago José)


Temo o tempo quando é conta
Que se quer ter
 Estava tudo planejado
 Mas o tempo me aponta:
 - Você! (Alguma coisa deu errado...)

Por isso aquele pesadelo
 Da prova de matemática
Até depois dos 25 anos
 E sabe Deus até quando!
 Esqueci de estudar
Deixar a prova em branco

Quando não tento ter o tempo
É que ele toma conta
E sem querer...
Distração se faz encontro

 Então ele se mostra
 Algo se rasga, é uma festa
O máximo do choque térmico
Tempo arte sem matemática

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

PLAYBOY

O Carnaval é a arte de brincar na rua. E de brincadeira quem entende, definitivamente, são as crianças. Mas teve menino que passou a infância inteira no Play e ao invés de se tornar um garoto brincalhão vira um rapaz que não sabe brincar. Acho que daí vem: Playboy. Teve brinquedo melhor que os outros e fica sempre com medo de perder.

Tudo isso pra dizer que tem gente que não sabe brincar (Carnaval). Claro que eu tenho medo de quem está ali pra roubar, mas nesse caso, o objetivo tá explicado. Mas o que me deixa apavorada é quando um cara que tem mais do que eu, resolve achar que eu tenho qualquer coisa que lhe é de direito tomar. E isso pode ser até um beijo, ora veja!

A mulher é o brinquedo, e o cara que não está acostumado a levar um “passa fora” da sua própria bola fica bolado! Se ele, pelo menos tivesse aprendido a passar a bola, aí de repente rolava.

Não sabe brincar não desce pro play, boy!
(E muito menos para o Carnaval de rua)

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Cordel do quejo coalho




(Ilustração por Alex Soares)


Rafael hoje reclama
não é moça nem é miss
e assim começa o drama
de sua esposa Berenice

Isso porque alguém lhe disse
que ela já não agradava
seu marido preferia
uma bela jovem magra

Berenice em desespero
quer a lipoaspiração
junta todo seu dinheiro
- será isso ou o caixão!

Em São Cristóvão era a clínica
e o destino foi tão cínico
bem no meio do caminho
a Feira dos Paraíbas

Lá chegando ela repara
mulher feia com barriga
mas se nota pela cara
que está feliz da vida

Não liga pras aparência
do pneu não tem vergonha
dança forró com saliênica
sensual leve e risonha

É quando come o queijo coalho
e manda tudo pro caralho
é quando o seu queijo come
e toda sua fome some

E Berenice, não espalha
encaixou com o paraíba
desistiu de sua lipo
e partiu com Severino

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Contos do Cotidiano Carioca - Renata

Caio não quer mais ficar com Renata, que é maior gata, mas já está na hora de dizer que não rola. E agora, como dizer? Caio se enrola. O pior é que a mulher é um furacão! Quer porque quer e quanto mais ele enrola com a história mais a poderosa insiste na cama. Que drama! Talvez seja isso. É areia demais para o seu caminhão. Toda prosa, essa louca é um excesso para um cara que só queria sossego. Chama o bombeiro pra acalmar o fogo dessa louca! O pobre com sua vontade pouca se desespera. Mas não é pra tanto. - Afinal de contas o que essa bacante tá querendo comigo? Minha carne, não duvido! Corpinho que mamãe nutriu com carinho a base de leite com pêra. Sai fora sua fera! Caio quase se desespera. Mais tranqüilo é o aconchego dos amigos. Passar um dia inteiro passando o tempo com o seu hobby predileto, ao qual todo homem que é homem com homem que é homem tem direito. Enquanto Renata, a gata, espera estressa insiste não desiste implica e deixa tonto tanto que o garoto que não é santo já não güenta de delícia e desespero. “Ai meu Deus!”. É hora de acabar com esse suplício. Mas dizer não pra mulher é tão difícil! Vai que ela fica puta. Desde antes o cara já sente culpa. E aceita seu agrado mas depois fica enjoado e querendo que vá embora. Já está na hora.

Contos do Cotidiano Caroca - Joana

Caio vê Joana com outro cara, mas esconde a careta, afinal de contas, eles não tinham nada. Não seria isso que você faria, meu caro? Caio andava mesmo enjoado de Joana na outra semana... Mas hoje, por algum motivo, lhe veio um desejo! O que havia acontecido? Agora não parava de olhar para aquela delícia de bunda na mão que não era sua. Ele que já tinha passado muito mais que a mão, passava mal com a situação. E não recordava bem do passado... Ah sim, agora se lembrava, daquele domingo de ressaca com os amigos. Joana perguntara pela praia prometia, mas ele só queria cama, não deu sinal de vida. Pois essa noite vai ter sua cama... Sem Joana!

Caio é gato, descolado, expert, como quase todo carioca, na arte de mostrar os dentes, e dizer que está tudo bem. E com o tempo, de tanto tudo bem, já nem tenta, sei lá, tanto faz, não sente nada diferente. Vez por outra dá gastrite, azia de vida vazia, vontade de viajar pra nunca mais voltar. Mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Fulana que nem Joana tem de monte pra chamar de bem. E é sempre o mesmo nhém nhém nhém de mulher, que sempre quer quer quer. Vem? Não vem. Tem? Não tem. Como bom intelectual (meio de esquerda) Caio sabe que ciúmes ou arrependimento pega mal. Está tudo bem, afinal de contas, nesse mundo, “ninguém é de ninguém”. Semana que vem no bate papo com Joana, Caio como quem não quer nada, avisa de uma outra festa igual a esta. “To chamando geral”. Só pra provar que tá tudo bem. Se ela der mole, melhor. Mulher pra Caio é tudo igual.

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