quinta-feira, 19 de maio de 2011

ME CHAMA

[E ainda tem gente que tem medo do fogo
Eu só temo quando não me chama!]




Pega fogo, lambe tudo
Arde e toca feito flauta
Sopra quente e me acende
Inspira versos, ardentes

Eu me entrego como escrava
Não há medo no que escrevo
Mas o fogo, em segredo
Me revela: ainda é cedo!

Eu só morro quando a musica acabar
Pego fogo
Em amor a confusão
Explodo em palavras secretas
Acende a alma do poeta

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Do fogo

Por que lutar se ele não prende?
Amor é como a gente se rende

Eu me rendo
Entrego o EGO à arte
E ao fim do amar-te, a morte
Do EU – tudo que queria se perdeu

Perdi
Vi ruir
Cri ser eterno...
E agora o que resta? Adeus?

Oh sim há deus, na festa!

O banquete de sempre chama
Aceito, acendo, inflamo
Enquanto nego ao outro
Que contenta com o pouco

Que posso fazer eu
Se meu deus tem ciúmes
quando me verto sem faísca?
Não hei de correr o risco,
de ver morrer sem fricção
minha fogueira, criação.

SOUTO

E ele disse "sou muito SOLTO".
 - Não tem problema, eu também SOUTO!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Intercâmbio Catumbi

Navegande da Ilha
Cruzeiro 485
A travessa maravilha.

Viajo e vejo
Por isso escrevo
Pessoas e calçadas
Cantos sujos
Garotos ruivos
Moleques pretos
Oficinas, bichos e meninas
Quase putas ou moças com calor
De submissão , nem sinal
Orgulho de quem tem o samba no quintal.

Pode até rir
Mas meu intercâmbio cultural
Passa pelo Catumbi.

Por que sonhar só com o Leblon?
Le bom de mais para ser verdade

Vai querer meu sonho são?

Sono lento, engarrafado.
Cerveja, boteco
Cortiço, sobrado
É querer demais querer tão pouco?
Que nada. Sonho bom é sonho louco!

Intercâmbio Caracol

Foi mal
Não fiz intercâmbio cultural
Então por favor me diz
que é o tal do… Baudelaure
Quem é Baudelaure?
Quem é?

Nunca vi entardecer na França
Não toquei piano em criança
Mas tomo muito sol.

Você conhece o Caracol?

Avenida Brasil
Passarela em espiral
É fila atrás de fila na van pra Copacabana
Senta no banquinho e corta caminho pela maré
No Intercambio - Caracol 
Não se fala em Baudelaure

segunda-feira, 28 de março de 2011

Espera que gera

Essa rainha
O que ela tem que eu não tinha?
Tempo
Criou um templo
Do lado de dentro

Que seu reino seja eterno
Irmã no sangue
Para que meu também o seja
Mesmo que breve

Por enquanto espero
Feito grávida
Que come tempo
Na dobra entre
O lado de fora
E o de dentro

Dona da casa, dona do canto
povo de rua, castelo na lua
Eu não arredo
Do que é belo
Rainha do resto
Meu reino é orquestra
-de acaso, sem maestro

Pois que a espera é passiva?
Não, é ávida.
Vou aprender com a grávida
A espera que gera.
(ou desespera)

sábado, 12 de março de 2011

Vade Retro para a experiência

Não se espante ao descobrir na passista, alguém que pensa
São só palavras, como sempre limitadas
Do lado de dentro da experiência

- Olha o bloco
- Olha a louca
- Como dança! Diz o moço do restaurante

Que não por vontade própria se desloca
A multidão passa e faltam palavras na mesa
Estremecem de beleza a cortina e o assento
Num sopro instante de consentimento

A imagem fala, a letra encareta a brincadeira
O folião repara o estranho e abre os olhos ao contraste:
- Se eles ficam é porque eu passo
Assim se trança a sina: a cidade descortina

Mas a poeta insiste
Em fissura de caneta, precisa falar disto
E mira ao rapaz da bateria: virou bicho!
Só atende por tempo, tom e ritmo
[Como é? Faz tum tum de tão bonito!]

Mas do lado de dentro
Pelo tato se entende
Se toca e agradece
Coletivo, de choque, carece!

Não acredita? Tenta só sambar de ré!
Se samba no pé não sai no tapa
Contato é nossa ordem, primata!

Mas não importa o queo poeta pensa,
Suas palavras não podem tocar a experiência.

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